Açores - São Miguel


Lagoa do Canário, São Miguel, Açores.

  Os Açores são um paraíso ainda desconhecido da maior parte dos portugueses e o arquipélago só agora começa a entrar nos roteiros turísticos. Desde que me lembro que sempre tive um fascínio pelos Açores, pelas imagens que via nos livros da escola, pelos fenómenos de vulcanismo, pelo verde da ilha, pela paz que as fotografias me transmitiam... A oportunidade surgiu em Março deste ano e não a podia desperdiçar. 

  Se já tinha uma boa imagem da ilha e dos Micaelenses, vim de lá absolutamente encantada e com muita vontade de conhecer as outras ilhas do arquipélago. São Miguel superou em muito as minhas expectativas.

  Tínhamos algum receio do tempo que íamos apanhar durante a nossa estadia, uma vez que a meteorologia nos Açores é um pouco instável, costumam dizer que faz a 4 estações no mesmo dia! No entanto, tivemos muita sorte, apanhamos dias fantásticos, com temperaturas quase de Verão e céu sempre limpo.

  Ficamos 5 dias em São Miguel. Para explorar a ilha o ideal é alugar um carro, que foi o que fizemos; o nosso Fiat Punto tinha algumas dificuldades em fazer as subidas mais íngremes da ilha mas conseguimos chegar a todo o lado. 


O nosso carro durante a estadia em São Miguel.
Fizemos 689 km em 5 dias.

  Em relação ao alojamento, após alguma pesquisa, optamos por ficar alojados 3 dias em Ponta Delgada e 2 dias nas Furnas. Esta opção revelou-se acertada uma vez que, mesmo a ilha não sendo muito grande, nos permitiu poupar tempo em deslocações desnecessárias e explorar melhor o Nordeste de São Miguel, que é LINDO!
  Em Ponta Delgada ficamos alojados no Hotel Comfort inn Ponta Delgada, situado bem no centro histórico da cidade. Nas Furnas ficamos no magnífico Terra Nostra Garden Hotel, um dos hotéis mais bonitos onde estive e sobre o qual vou falar noutro post.

  Aterramos em Ponta delgada num sábado às 9h00 (+ 1h em Portugal continental) e, após os procedimentos para levantar o carro, que já tínhamos alugado previamente online, partimos à descoberta da ilha.

São Miguel, Açores.


  Começamos por explorar o lado ocidental da ilha, seguimos assim em direção a Sete cidades. A primeira paragem foi na lagoa do canário.
  A lagoa do canário é uma pequena lagoa situada na mata do canário, cujo principal atrativo não é apenas a lagoa em si, mas sim um dos mais incríveis miradouros da ilha: o miradouro da lagoa do canário ou miradouro da grota do inferno.
  Tínhamos visto várias vezes fotos deste local mas tivemos dificuldades em encontrar o sítio, uma vez que não está muito bem sinalizado.
  Percebemos que vários turistas viam apenas a lagoa, andavam uns metros em frente na estrada de terra batida e diziam que não tinha nada de especial voltando para trás. Nós próprios fizemos isso mas, já prestes a desistir e, comigo a insistir que tinha de ser ali, que só podia ser ali (ser teimosa vale de alguma coisa!), resolvemos voltar para trás e refazer o percurso.



Caminho de acesso ao miradouro da lagoa do Canário.

  Seguimos pela estrada de terra batida a pé uns bons 10 minutos e não se via ninguém, vamos voltar para trás... Não é aqui... Mas eu insisti (sou chata quando quero!) e lá continuamos, cruzamos com um casal de turistas que parecia de vir algum lado e decidimos continuar... Até que 20 minutos depois encontramos um caminho que parecia um trilho.. Era ali! Tinha de ser ali! E era mesmo, estava muito nevoeiro e não se via grande coisa, mas quando chegamos lá acima, como por magia o nevoeiro começou a levantar e a paisagem mostrou-se em todo o esplendor.


  Deste miradouro, em dias de céu limpo, é possível observar a lagoa das sete cidades, com a sua lagoa azul e lagoa verde, a lagoa rasa e a lagoa de Santiago, é ainda possível observar a imensidão do atlântico ao fundo. Estivemos alguns minutos sozinhos a desfrutar daquele momento e daquela paisagem mágica, entretanto o nevoeiro voltou a surgir e viemos embora com a sensação de missão cumprida.





** Dica para chegar ao miradouro: ao chegar à lagoa do canário, podem estacionar o carro na berma da estrada, depois podem descer para a lagoa, mas ao subir não voltem para trás em direção à estrada, sigam sempre em frente, a pé, na estrada de terra batida, ao fundo tem um sinal de proibido mas sigam na mesma. O percurso dura uns bons 20 minutos e não se vê muita gente, no final esta estrada vai ter a espécie de caminho/trilho com escadas feitas com troncos de madeira, subam e a paisagem vai surgir à vossa frente.


Miradouro da Lagoa do Canário.


  Retomamos então o caminho em direção a Sete cidades. Ao descer para a freguesia começamos a ter um vislumbre da beleza que vamos encontrar, ao longo do percurso vemos a lagoa das sete cidades, com os seus dois tons de verde e azul. Como a maioria das lagoas da ilha, esta é formada pela cratera de abatimento de um antigo vulcão. O vulcão das Sete cidades, esta é uma das maiores caldeiras da ilha e o maior reservatório de água doce de São Miguel.


Lagoa das sete cidades, São Miguel.


  A lagoa é apenas uma, sendo dividida por uma ponte, no entanto devido à diferença de coloração, têm nomes diferentes, a lagoa verde e a lagoa azul. Existem vários mitos acerca da razão da diferença das cores. Li que em tempos existiu uma história de amor entre um pastor de olhos verdes e uma princesa de olhos azuis; como o seu amor era proibido choraram tanto que as lagoas ficaram com cores diferentes: o verde dos olhos do pastor e o azul dos olhos da princesa, "estórias" bonitas que nos deixam ainda mais apaixonados por um lugar já de si lindíssimo!


Miradouro da vista do rei, Sete Cidades.
  Como a hora de almoço se aproximava, optamos por almoçar um prego em bolo lêvedo, no espaço Green Love com vista para a magnifica lagoa azul.


Lagoa azul, Sete Cidades.


  Das Sete Cidades seguimos para a Ponta de ferraria. A Ponta da ferraria situa-se no extremo Sudoeste da ilha de São Miguel e é constituída por uma praia de rocha negra vulcânica. O curioso deste sitio é que devido à presença de nascentes de águas termais no mar, a água é aquecida naturalmente, permitindo desfrutar de um banho de mar, a uma temperatura agradável, fora da época de Verão, nas piscinas naturais da ferraria. 
  A temperatura varia entre o 18º C e os 28 ºC e varia com a maré, já que a concentração de água aquecida também varia. Uma vez que já estávamos no final do dia não conseguimos experimentar, fica para a próxima visita a São Miguel.


Piscinas naturais da Ferraria


  Neste local funcionam também as termas da Ferraria, este complexo foi recentemente renovado e é abastecido pelas nascentes de água termal salgada. Tem um Spa e dispõe de diversos tratamentos. Pelo que dizem as suas águas têm propriedades curativas e rejuvenescedoras, não experimentamos mas acreditamos que sim :)

Termas da Ferraria

  Em São Miguel come-se muito bem, e para jantar, já munidos de algum trabalho de casa, optamos por reservar mesa no restaurante Alcides. Segundo o que lemos, o Alcides disputa com o restaurante da Cooperativa Agricola de São Miguel o "título" de melhor bife da ilha. Assim sendo, como não podia deixar de ser optamos pelo "Bife à Alcides" e o prato não desiludiu, foi classificado pelo Luís como o melhor bife que já comeu na vida (e olhem que o rapaz é exigente e esquisito com a carne!). Eu subscrevo. A carne era de facto muito boa, cozinhada no ponto, quase se desfazia na boca de tão tenra, vinha acompanhada de batatas fritas caseiras e foi o culminar de um dia perfeito. Convém fazer reserva. 



 No regresso ao hotel, e passamos por um dos símbolos da cidade de Ponta delgada: as portas de cidade, claro que não resistimos a umas fotos. Entretanto era hora de regressar ao hotel e descansar porque o plano para o dia seguinte estava traçado, e incluía muitos quilómetros!



Portas da cidade de Ponta Delgada. São Miguel, Açores.




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